À noite
| Revista Eutomia Ano I Nº 01 (50-50) À Noite Percy Bysshe Shelley Tradução de Paulo Henriques Britto I 'Spectro da Noite, célere atravessa Os mares do Ocidente! Das brumosas grutas do Oriente vem depressa, De onde, enquanto o dia refulgente Se alonga em solidão, tu teces sonhos Os mais benévolos e os mais medonhos Vem, ó Noite envolvente! II Esconde teu vulto em manto sem cor, Teus astros benfazejos! Venda os olhos do Dia com o negror De teu cabelo, e exaure-o com teus beijos, Depois toca a cidade, e a terra, e o mar, Com teu condão de ópio, a apaziguar Noite de meus desejos! III Quando acordei e vi o amanhecer, Eu suspirei por ti; E quando vi o orvalho esvanecer, O sol pesar sobre o mundo, e senti Que o Dia demorava-se, cansado, Tal qual um hóspede indesejado, Eu suspirei por ti. IV Veio tua irmã, a Morte, e perguntou: Tu me chamaste aqui? Teu doce filho, o Sono, se achegou, E entre suaves murmúrios ouvi: Queres que me acomode ao lado teu? Chamaste-me aqui? Respondi-lhe eu: Não, não chamei a ti! V A Morte? Só quando houveres morrido, Em breve, ah, em breve O Sono? Quando tiveres partido. Que não me venha o Sono, nem me leve A Morte, e sim tu, Noite, ó bem-amada Vem súbita, vem célere, alada; Teu vôo seja breve! ---------------------------------------------------------------------------------- Eu gostei desse poema porque todo bom poema, para mim, traz um sentimento de dor e sofrimento, um acalento, algo que se identifica com a minha dor... não que eu sinta dor, sofrimento ou tristeza ao ler um poema, mas o que quero dizer na verdade que a poesia fala à minha alma, entende meus sentimentos... é algo incrívelmente fantástico. Obrigada Deus por ser um Deus poeta, obrigada por ter criado a poesia, obrigada por ter colocado esse dom em algumas poucas pessoas, mesmo que algumas dessas pessoas sejam ateus, como o Shelley, e não reconhecem a ti como um Deus Supremo... fazer o quê né?
Quinta feira, 03 de setembro de 2009. Julis
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