Moça indecisa




Estava quietinha como folha molhada após a chuva.
Estava protegida como a rosa numa redoma do Pequeno Príncipe.
Estava sossegada como filhote de pássaro no ninho.
Longe de dores, longe de mentiras, longe de sonhos irreais.
Estava perto do céu, no colo do Pai, ouvindo sua doce voz.
Pensava eu que nada poderia me tirar deste lugar.
Engano.
De repente o veneno laranjado da dúvida cercou-me.
Como um garoto encurralado pelo brigão do colégio,
Como moça indefesa diante do seu agressor,
Como criança abandonada que não sabe para onde correr...
Moço barulhento que você é,
Moço confuso que você insiste em ser,
Moço sem rumo que você deseja ser,
Chegou e atrapalhou e confundiu e balançou a ponte.
Voçê enviou um cavalo atrás de mim, tentava me esconder,
Mas a qualquer respiro num dia distraído ele me achava, e
Em alguns desses dias você veio montado nele...
- Esqueça sua cabeça e o que você pensa, siga seu coração.
- Não posso moço atrapalhado...
- Mas por quê?
- Eu tenho um amor grudado em mim, não sai... preciso deixa-lo no lugar eterno.
- Esqueça sua cabeça e o que você pensa, siga seu coração - várias vezes me disse. - entregue-se a mim.
- Tudo bem moço perdido, vou dar um rumo na sua vida, agora eu decidi, certo?
- Moça indecisa, desculpa, agora não aceito, tenho medo de ser abandonado.
Estava tão quietinha e protegida...
brincou comigo...
tudo bem moço sem rumo, siga seu caminho, mas leve esse cavalo junto, não quero mais esse peso atrás de mim. Deixe-o solto!
Adeus.
Julie F. de Pádua
05.05.2010

Se eu tinha um resto de coração e um fiapo de confiança no ser humano.... esvaiu-se como poeira na estrada...

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