O que disse o trovão - Uma poesia a você meu querido
O QUE DISSE O TROVÃO
Após a rubra tocha nas faces suadas
Após o gelado silêncio nos jardins
Após a agonia em pedregosas regiões
O clamor e a súplica
Cárcere palácio brilho
Do trovão primaveril sobre longínquas montanhas
Aquele que vivia agora já não vive
E nós que então vivíamos agora agonizamos
Com uma certa paciência.
Após o gelado silêncio nos jardins
Após a agonia em pedregosas regiões
O clamor e a súplica
Cárcere palácio brilho
Do trovão primaveril sobre longínquas montanhas
Aquele que vivia agora já não vive
E nós que então vivíamos agora agonizamos
Com uma certa paciência.
Aqui água não há, mas rocha apenas
Rocha sem água e arenoso caminho
O deslizante caminho que sobe entre as montanhas
montanhas de rocha sem água
Se água houvesse aqui, pararíamos para bebê-la
Não se pode parar ou pensar em meio às rochas
O suor está seco e nos pés há pós
Se aqui só água houvesse em meio às rochas
Montanha morta, boca de dentes cariados que já não pode
cuspir
Aqui de pé não se fica e ninguém se deita ou senta
Nem o silêncio vibra nas montanhas
Apenas o áspero e seca trovão sem chuva
Sequer a solidão floresce nas montanhas
Apenas rubras faces taciturnas que escarnecem e rosnam
A espreitar nas portas de casebres calcinados
Se água houvesse aqui
E não rocha
Se aqui houvesse rocha
Que água também fosse
E água
Uma nascente
Uma poça entre as rochas
Se ao menos um sussurro de água aqui se ouvisse
Não a cigarra
E a grama seca a cantar
Mas a canção das águas sobre a rocha
Onde gorjeia o tordo solitário nos pinheiros
Drip drop drip drop drop drop drop
Mas aqui água não há
Rocha sem água e arenoso caminho
O deslizante caminho que sobe entre as montanhas
montanhas de rocha sem água
Se água houvesse aqui, pararíamos para bebê-la
Não se pode parar ou pensar em meio às rochas
O suor está seco e nos pés há pós
Se aqui só água houvesse em meio às rochas
Montanha morta, boca de dentes cariados que já não pode
cuspir
Aqui de pé não se fica e ninguém se deita ou senta
Nem o silêncio vibra nas montanhas
Apenas o áspero e seca trovão sem chuva
Sequer a solidão floresce nas montanhas
Apenas rubras faces taciturnas que escarnecem e rosnam
A espreitar nas portas de casebres calcinados
Se água houvesse aqui
E não rocha
Se aqui houvesse rocha
Que água também fosse
E água
Uma nascente
Uma poça entre as rochas
Se ao menos um sussurro de água aqui se ouvisse
Não a cigarra
E a grama seca a cantar
Mas a canção das águas sobre a rocha
Onde gorjeia o tordo solitário nos pinheiros
Drip drop drip drop drop drop drop
Mas aqui água não há
Quem é o outro que sempre anda a teu lado?
Quando somo, somos dois apenas, lado a lado,
Mas se ergo os olhos e olho a branca estrada
Há sempre um outro que a teu lado vaga
A esgueirar-se envolto sob um manto escuro, encapuzado
Não sei se de homem ou de mulher se trata
- Mas quem é esse que te segue do outro lado?
Quando somo, somos dois apenas, lado a lado,
Mas se ergo os olhos e olho a branca estrada
Há sempre um outro que a teu lado vaga
A esgueirar-se envolto sob um manto escuro, encapuzado
Não sei se de homem ou de mulher se trata
- Mas quem é esse que te segue do outro lado?
Que som é esse que alto pulsa no espaço
Sussurro de lamentação materna
....................................................
Sussurro de lamentação materna
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A selva agachou-se, arqueada em silêncio.
Falou então o trovão
Que demos nós?
Amigo, o sangue em meu coração se agita
A terrível audácia de uma entrega momentânea
Que um século de prudência jamais revogará
Por isso, e por isso apenas, existimos
E ninguém o encontrará em nossos obituários
Ou nas memórias tecidas pela aranha caridosa
Ou sob os lacres rompidos do esquálido escrivão
Em nossos quartos vazios
Que demos nós?
Amigo, o sangue em meu coração se agita
A terrível audácia de uma entrega momentânea
Que um século de prudência jamais revogará
Por isso, e por isso apenas, existimos
E ninguém o encontrará em nossos obituários
Ou nas memórias tecidas pela aranha caridosa
Ou sob os lacres rompidos do esquálido escrivão
Em nossos quartos vazios
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Aqui está alguns versos da poesia em que uni a tradução de Ivan Junqueira (http://sinosdobram.wordpress.com/tag/t-s-eliot/) e do Lawrence Flores Pereira do livro Poesia em tempo de prosa. Retirei algumas parte que julguei desnecessárias a respeito do que quero expressar.

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