Penelope Viva - Voar por aí... entre palavras...



VAIDADE
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo ...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho ... E não sou nada! ...

Florbela Espanca – Livro de Mágoas

Sonho que sou a Poetisa eleita, aquela que diz tudo e tudo sabe. Sonhar que queremos ser alguma coisa é normal e faz bem. Muitas vezes fecho meus olhos e sonho que posso fazer o que quiser, sonho coisas bobas como ter dinheiro para comprar muitas roupas e exibi-las às minhas amigas. Enfim, fico imaginando muitas coisas que gostaria de fazer, mas não posso e não devo. Dizer tudo o que tenho vontade eu digo, raramente escondo as coisas que quero falar, mesmo sabendo que pode ferir alguém. Saber tudo ... ah, isso eu não sei, ás vezes me sinto a dona da verdade, querendo que só o meu conhecimento alimente todo mundo e seja suficiente para um debate, mas não é assim, saber tudo mesmo, só Deus. Inspiração, como tem sido difícil encontrar isso ultimamente, a vida anda me cansando tanto, que algumas vezes não consigo olhar ao redor e sentir o vento, quanto menos ter inspiração por algo, procuro me esforçar. Pura e perfeita, será que existe inspiração pura e perfeita¿ Para mim a inspiração vem de qualquer coisa, até das mais repugnantes. Compartilho do mesmo sonho que Florbela, gostaria muito que um verso meu tivesse claridade para encher o mundo, isso seria muito prazeroso, mas eu vivo em busca do verso perfeito, raramente consigo achá-lo, confesso ser esse um dos meus maiores buracos na alma. Ter os versos deleitando alguém, ainda mais aqueles que morrem de saudades, deve ser o paraíso, indizível. Coitados dos que morrem de saudades, na verdade a saudade é algo que nos mata dia a dia sem percebermos, cada vez que pensamos em alguém que nos deixa saudades, é como se aquela pessoa estivesse ali presente, nossa alma faz tanta força para acreditar nisso que não consegue voltar a sanidade e ai que começa a loucura. Deleitar os de alma profunda e insatisfeita não é meu papel, posso amenizar alguma dor, porém o interior a Deus pertence e só ele tem o poder de conhecer e fazer algo para mudar. Florbela devia estar se sentido muito pra baixo quando escreveu essa poesia, mas mesmo assim não tem como não notar a beleza e a profundidade dos seus versos, poesia pura, cheia de sentimentalismo e emoção, mas ela sonhava em ser alguém cá neste mundo, eu não sonho, eu sei que sou, e ouso dizer que já fui o mundo de alguém que não está mais neste mundo. Florbela devia estar sentido falta de conhecimento, talvez alguém tivesse pedido um conselho a ela e não conseguia corresponder a essa pessoa, e por isso pedia tanto sabedoria. Podemos ter, mas devemos nos esforçar para isso, e também compreender que a sabedoria está nas pequenas coisas. Não desejo que a Terra se curve a mim, quero apenas que ela suporte tantas pessoas sugando ela sem se importar, e que fosse ao contrário, as pessoas se curvando à Terra e entendendo que é dela que vem nosso sustento. Sonhar, sonhar, sonhar e ir longe no azul deste céu, voar, voar, voar para bem longe sem precisar voltar... e acordar sim... mas perceber que é possível ser alguém, alguém que saiba agradecer... ao menos agradecer...

PV – 11.09.10



Penelope Viva - Desejo

Desci rapidamente do ônibus e caminhei pela praça Rui Barbosa sentido Pedro Ivo. Estava com fome, procurei algum lugar decente para comer, acabei achando o Sonhos e Sonhos, entrei fiz meu pedido e sentei. Ao sentar coloquei as mãos sobre o rosto, fechei os olhos, respirei fundo, senti meu cérebro com muito oxigênio:
“Tô passando mal! Não sei se de fome ou de desejo”
Me assustei com meu próprio pensamento, confesso. Tem momentos que não sei como encarar meu corpo, entender o que ele sente e suas necessidades. Tem dias que acordo com uma necessidade de ser tocada, beijada, agarrada e por aí vai. Acho vulgar ser assim tão descarada e falar que preciso de ... é isso aí mesmo. Prefiro ser mais sutil, afinal, para bom entendedor, meia palavra basta, neste caso apenas reticências.
Puxa vida, sinceramente não sei como lidar com isso. Se eu fosse uma mulher sem compromisso com nada, que joga tudo para o alto em troca de uma noite, ou que simplesmente não se valoriza, seria bem fácil acabar com esse desejo, fogo, necessidade, ou seja lá qual for o nome disso. Homens para mim são coisas que não me faltam, digo no sentido de sempre ser cantada, ser olhada e paquerada. Tenho vários contatos no telefone nos qual bastaria uma mensagem e teria um encontro com um objetivo.
Sinceramente não gosto disso. Nesse caso prefiro engolir a seco os desejos do que afogar-me depois na angustia, no vazio. Ter uma noite de pura loucura, para no dia seguinte se sentir a pior das pessoas não é comigo. Já fiz isso, não quero repetir, meu amor próprio, respeito próprio fala mais alto. Sei que sou meio doida, faço umas coisas doidas, mas até para a loucura existe um limite, eu penso que sim.
Mas o sentimento foi muito intenso, mas passou, sempre passa. Volta, sempre volta, mas passa de novo.
By Penelope Viva – 03.09.10

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