Dualidade
Estou vivendo um momento da minha vida bem interessante, um momento em que esperei por muito tempo, o momento do casamento, de ter a minha própria casa (não confunda com casa própria!). Que delícia de momento, no entanto, muitas coisas passam pela minha mente, pelo meu coração e não tenho como fugir da pergunta: como será que vai ser? Como será que vai ser acordar todos os dias ao lado do homem que eu amo? Como será todo dia fazer comidinha, limpar casa, organizar tudo. Não que eu não faça essas coisas hoje, arrumar e organizar e limpar e por aí vai, mas será diferente, haverá alguém para eu cuidar além de mim. Estou de fato muito feliz e ansiosa.
Eu penso que isso já seria suficiente para eu ter coisas com o que me preocupar, apesar de saber que isso não é correto, afinal sei que Deus não quer que nos preocupemos... Enfim... Também tem meu lado profissional que está clamando por liberdade, por fazer de fato aquilo de que gosto, eu tenho feito, mas em partes, não me sinto completa. Eu quero mais.
Não consigo imaginar minha vida sem eu estar fazendo algo de importante e que tenha lá seu valor para a sociedade. Porém tenho me decepcionado tanto com a falta de disposição dos nossos jovens e adolescente em aprender. Caramba! Como isso está péssimo! Eu ando na rua e observo esses seres esquisitos que se tornaram os adolescentes, fico surpresa de uma forma tremenda ao notar como eles querem chamar a atenção e gritar para todo mundo ouvir que ninguém manda neles. E isso eles trazem com perfeição para o ambiente educacional.
Tenho lido sobre esse assunto: adolescente. E tenho encontrado algumas respostas e tudo inicia adivinha com o que? LAR. Se pararmos para pedir que os adolescentes façam um acróstico com a palavra lar, o que será que saíria? Lamentação, Angústia, Ruína? Lugar de Amor e Responsabilidade? Infelizmente, e leia mil vezes infelizmente, os lares hoje não tem sido lugar de amor e responsabilidade.
Estou de fato muito triste com tudo isso, tenho vivido uma dualidade de sentimentos de alegria e tristeza, feliz pelo meu lado pessoal, mas o profissional tristemente está em crise. Passo horas e horas tentando achar soluções de fazer meus alunos pessoas melhores, mas receio não estar conquistando sucesso. Não geral, alguns, graças a Deus, ainda vejo como uma luz no fim do túnel, mas com esses eu não tenho que me preocupar, pois estão inseridos em um lar decente. Aqueles com que eu me preocupo não.
O que eu quero dizer com tudo isso que a vontade de desistir da docência é muito grande, e no fundo não é apenas responsabilidade minha querer jovens e adolescentes melhores, todo mundo deveria se preocupar com isso, mas nem se quer pensam sobre o assunto. Em sala de aula eu fico impressionada com tamanho descaso com a própria educação, eles não estão nem um pouco se importando. Não entra na minha cabeça que eu tenha que falar mais de quinze vezes para o cidadão não usar o telefone durante a aula ou que não coma em sala de aula, ou que cumpra uma regra SIMPLES! Meu Deus! O negócio é simples, não exige muito e nem assim eles não conseguem, não querem! Como é possível rejeitar algo que trará benefícios incontáveis?
Enfim, continuarei minha jornada, mas confesso que com pouco combustível. Se a sociedade não acordar não posso imaginar o que será nosso mundo em alguns anos. Se as famílias continuarem a se separar, se os pais continuarem a se estapear, se os filhos continuarem a crescer com inúmeros problemas emocionais como será? Como será nosso mundo? Eu não quero imaginar, não consigo. E você? Consegue?

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