Love’s to blame I II III
CAPÍTULO I
Era início da manhã, de uma sexta-feira muito quente em Janeiro de 2018. Eu estava no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, esperando o voo 155 da Blue Airlines chegar. A previsão de chegada era às 9h15 e não havia possibilidade alguma de esconder toda a minha ansiedade para a chegada desse avião. Acho que você deve estar se perguntando o motivo da minha ansiedade, e há um bom motivo! A big reason called Donald James Hayes, ou simplesmente Don.
Enquanto aguardava a chegada de Don, fiquei repassando na minha mente a nossa história e tomando um café romano (já bebeu um desses? É maravilho) na Starbucks. Na época eu evitava contá-la para minhas amigas, porque era algo tão maluco que ficava realmente difícil acreditar. Mesmo quando eu mostrava as mensagens no Hangouts, elas não acreditavam, riam muito da minha cara. Então eu parei de compartilhar. Mas depois de tudo o que aconteceu naquele fim de semana e nos dias que se seguiram, não há até hoje uma única pessoa no mundo que possa duvidar da veracidade dos fatos.
Na ocasião do meu encontro com Don, a única pessoa que sabia onde eu estava e o que fui fazer era a Ana. Aliás, ela não parava de me mandar mensagem no WhatsApp perguntando de tudo. E enquanto ele não chegasse eu não tinha o que contar além de que estava me borrando de medo e ansiedade. Já havia tomado limão com maizena para calar meu intestino.... Sério...
Quando chegou às nove horas da manhã eu fui para o portão de desembarque e ao me aproximar pude perceber uma multidão. Pensa no frio no estômago, meu cérebro não parava de gritar: você vai vê-lo! Você vai realmente vê-lo! Vai finalmente tocá-lo e sentir o seu perfume!
My goodness! Que nervoso! Comecei a me perguntar se todas aquelas pessoas estavam ali para vê-lo. Minha esperança era de que não. O ciúme já havia começado a subir pela garganta. Mas eu tinha que engoli-la, afinal ele era um cara famoso no meio esportivo, e não haveria nada que eu pudesse fazer para afastar toda aquela gente, todas as mulheres, dali. Do what?
Quando havíamos conversado pela última vez, ou seja, havia 10 horas, ele dissera que o momento do desembarque seria uma confusão: "It's really gonna be a mess, sweetie." Então, nosso combinado era que alguém da equipe dele iria me abordar discretamente para que eu pudesse acompanhá-los para o hotel. Ele dissera que só iríamos realmente nos ver no hotel. Caramba... Não sabia o que fazer para aguentar tanta ansiedade, emoção e paixão ao mesmo tempo. Ansiava há tanto tempo por aquele momento. Não parecia verdade.
Finalmente chegara a hora do desembarque e graças a Deus o voo não havia atrasado. That's so good! E foi realmente como Don havia dito: muita confusão, uma cadelada histérica! Ops... Uma mulherada berrando, havia muitos homens também, só não faziam tanto escândalo. Um empurra-empurra, afff! Tentei ver alguma coisa, mas realmente aquilo estava uma loucura, passei meus olhos por todas as pessoas que vinham pelo corredor, fiz de tudo para tentar enxergá-lo, afinal, não poderia ser tão difícil ver um homem de dois metros de altura! Mas que nervoso passei naqueles minutos! Era muita gente desembarcando e eu não conseguia ver nada. Resolvi, então, afastar-me e aguardar a abordagem da pessoa orientada. Don havia me mostrado uma foto do rapaz que iria me encontrar. Então eu sabia bem como era o rapaz, chamava-se Felipe Santos e esse rapaz também havia visto uma foto minha. Fiquei aliviada por saber que era um brasileiro, pelo menos a comunicação seria mais fácil. Então fiquei ali aguardando. De repente, recebi uma mensagem do meu lindo e gostoso Don:
"Hey, sweetie! I'm here! Felipe is going to seek you! I'm ansious a lot! We see soon. I love you! ".
"Ok, my pretty love! We see soon. I Love you, too."
Guardei o celular e alguns minutos depois fui abordada por um rapaz com a descrição exata do tal Felipe. Ele se aproximou sorrindo, mas parecia um pouco nervoso, e perguntou se eu era a Letícia. Respondi que sim.
“Acompanhe-me, por favor, senhorita. Vou levá-la em segurança para o hotel. Eu sou o Felipe”.
CAPÍTULO II
Era noite fria de um sábado julino de 2017 quando eu estava atualizando meu insta e recebi uma mensagem no direct: “Hello!”. Fui olhar quem era a pessoa, cliquei no perfil do tal don_hayes0. Havia três fotos estranhas de dois caras lutando num ring. Como não reconheci o homem e não poderia travar uma conversa decente porque meu inglês era péssimo, resolvi ignorar, apesar de ter achado o cara um gato! Cabelos curtos e loiro, alto (2,01 metros, constava na bio dele), olhos azuis e muito musculoso!
Continuei minhas atualizações e recebi nova mensagem: “Hey! What are you doing”. Li e mensagem e olhei a foto, pensei em responder só pra ver o que estava pegando. “Hello! I’m trying sleep”. Sim, eu menti porque era mais fácil dizer isso do que escrever em inglês o que eu estava fazendo.
“That’s nice. Are you one of my fan?”
Putz! Pensei… Fã? Aff, como assim, quem era afinal esse cara?
“Sorry, but no”.
It’s ok. I guess you don’t watch wrestling.
“I don’t now you” – escrevi após consultar o google tradutor.
Oh! Okay! I’m a professional wrestler.
Bom, a essa altura eu já havia pesquisado o significado da palavra wrestling e descobri que é luta livre. Achei engraçado e conclui que wrestler é lutador.
“Really? That’s cool!”
“Thank you for all the support”
Achei meio exagerada a resposta dele, mas tudo bem, deve ser coisa de americano. O cara era um lutador de luta livre? Eu achei bem engraçado, porque esses caras usam umas roupas cômicas demais. Resolvi pesquisar melhor essa pessoa. Joguei o nome dele na busca do insta e descobri um perfil oficial. Voltei e olhei o perfil que ele falava comigo e percebi que eram perfis bem diferentes. Nesse em que ele falava comigo, havia poucos seguidores e poucos seguidos. Mas um detalhe me chamou a atenção, só havia mulher tanto nos seguidores quanto nos seguidos. Logo conclui que era um perfil fake, óbvio.
Comecei a vasculhar o perfil oficial dele e vi que era casado e tinha dois filhos pequenos. A mulher dele chamava-se Katherine Hayer e era um espetáculo de mulher. Sério, pensa em uma mulher linda, um corpo maravilhoso. Visitei o perfil dela e descobri que ela era preparadora física. A maior parte das fotos era dela usando apenas biquíni, e alguns pequenos vídeos dela fazendo exercícios. Havia, também, várias fotos dos dois. Mas confesso que achei fotos meio vazias de sentimentos, não sei explicar bem, havia algo estranho. Mas e daí, né? Fiquei algum tempo stalkeando o tal do Don. E quanto mais o stalkeava, mais ficava fascinada com a beleza daquele homem. Que corpo! Comecei a torcer para que aquele perfil fake não fosse um perfil fake.
Então continuamos nosso papinho bobinho, e não haveria como não ser bobinho, afinal era um perfil fake e eu não sabia falar bem inglês, então não haveria possibilidade de termos uma boa conversa. Em dado momento ele perguntou:
“What’s your name?”
“I’Julie. Your name is Don?”
“Yeah! I’m Don. You got a very beautiful name for a beautiful lady like you.”
“My little dog is Don, too. Tks!”
“Oh! That’s really sweet. You welcome”
“Are you married?”
“No. I’m Single. Just me and my five dogs: Don, Jack, Pitoca, Fred and Mercury.”
“I think you really love dogs!”
“A lot!”
“Their names are so sweety. Don is cute.”
Então envie uma foto deles para Don ver:
“They’re so lovely.”
A partir daí só conversamos amenidades, falamos sobre gatos, qual era minha profissão, ele desejou que eu fosse bem paga por isso, eu disse que não era, mas que tudo bem, ele disse que sentia muito e blá blá blá. Quando bateu sono eu disse que realmente precisava dormir, desejei-lhe boa noite e ele escreveu:
“Okay ,dear, I will be expecting your text tomorrow.”
“Okay, I believe that I’ll be able to take the time to talk, have a good night, Don.”’
“You too, Julie.”
CAPÍTULO III
Felipe precisou colocar os braços sobre os meus ombros para poder me conduzir pelo caminho correto, retesei-me.
“Desculpa, senhorita, mas é preciso fazer isso, aqui tem muita gente, e preciso que esteja segura. Ordens do Don.” Felipe deu uma risadinha após dizer isso.
“Tudo bem, Felipe, mas por que deu risada?”
“Desculpe-me, senhorita... Mas Don me deu essa ordem muito a contragosto. E eu só me lembrei da expressão dele, foi bem engraçado.”
“Qual ordem? De vir me buscar?” Arregalei os olhos e aguardei ansiosa pela resposta! Don não me queria ali?
“Não é isso, senhorita. A ordem de ter que te abraçar para poder te conduzir em segurança é que ele não queria. Ele deixou bem claro que não queria nenhum homem encostando um dedo na senhorita. Mas explicamos a ele que infelizmente aqui no aeroporto do Rio não era seguro deixar a senhorita à toa”
“Nossa! Mas eu fiquei sozinha e à toa a vida toda, por que isso agora?”
“É difícil explicar.”
“Tente!”
“Sinto muito, senhorita, mas não tenho permissão para falar sobre o assunto.”
Fiquei em silêncio, mas muito pensativa. Que história estranha era aquela? Mas não tive tempo de pensar mais sobre o assunto, pois logo chegamos ao estacionamento, Felipe conduziu-me para o interior de uma BMW preta, maravilhosa! Dentro do carro não havia mais ninguém além de mim, Felipe e o motorista.
“Bom dia, senhorita Letícia! Felipe!”
“Bom dia, Pelé” Respondeu Felipe, sua voz era tensa e seu olhar era duro para o tal Pelé.
“Bom dia, senhor” Respondi mansamente. Pelé? My Goodness! Isso é lá nome de motorista de gente rica?
“A previsão de chegada ao Hotel Internacional do Rio de Janeiro é de quinze minutos, faça uma boa viagem, senhorita.”
“Ok, obrigada.”
Olhei para Felipe e percebi que ele olhava triste e tensamente para fora, mas os vidros eram tão escuros que realmente não sei o que ele estava olhando. Fiquei em silêncio e nem tentei puxar assunto com aquele rapaz. Achei toda aquela situação muito estranha, muito estranha mesmo. Mas eu estava ali para ver meu Don e era somente isso que poderia ocupar todo o meu pensamento. Don, Don e Don. Meu amor, my love, my badboy.
Passados exatos quinze minutos, o tal Pelé estacionou em frente ao Hotel. Estranhei o fato de estar tudo muito tranquilo, não havia outros carros, nem pessoas desembarcando.
“Tem certeza de que é aqui? Por que não há movimentação, pensei que estaria tão confuso quanto no aeroporto?!”
“Sim, senhorita, é aqui. Por medidas de segurança o hotel divulgado no site da equipe do Don é outro. Então os fãs devem estar no Meridional.”
“Nossa! Que sacanagem com eles.”
”Pois é, como eu disse: medidas de segurança”.
Desembarcamos bem rápido porque eu não tinha malas. Só eu e minha bolsa. Don me proibiu de trazer qualquer coisa, ele disse que queria me encher de mimos. “I want pampering you a lot, sweetie”
Chegamos à recepção e Felipe informou a recepcionista que a senhorita Letícia Cerrado havia chegado. A moça da recepção chamou um senhor cuja função descrita no crachá era a de mordomo para que nos acompanhasse. O simpático senhor era alto e de pele escura. Ele pediu que nós o seguíssemos. Felipe não arredava o pé do meu lado, mas já não pousava sua mão em meus ombros.
“Você é sempre assim?”
“Assim como, senhorita?” Perguntou sem olhar para mim.
“Tenso.”
“Sinto muito, senhorita, mas é meu trabalho. Sou segurança e de fatos os seguranças são sempre tensos. Peço desculpas se isso a incomoda.”
“Na verdade me incomoda sim, porque parece que há algo errado, você está tenso, preocupado e fica de olho em tudo. Você já está me deixando tensa também! Muito mais do que eu já estava! Há algo errado acontecendo aqui? Cadê Don?”
Neste momento eu comecei a ficar meio que histérica, porque algo me parecia errado. Não havia mais recebido nenhuma mensagem de Don, no carro eu havia enviado uma mensagem para ele, mas ele não me retornou, nem havia visualizado.
“Senhoria, não há com que se preocupar.”
Em seguida chegamos ao quarto, o mordomo abriu a porta para que pudéssemos entrar. Ele entrou logo atrás e disse:
“Senhorita Cerrado, meu nome é Mario Siegas, serei seu mordomo.”
Fiquei olhando para ele sem saber o que dizer, porque na verdade eu nem sabia que havia mordomos em hotéis e muito menos o que eles faziam.
“Senhor Siegas, me desculpe, não sei o que dizer. Mas agradeço sua gentileza.”
Nesse momento eu procurei um lugar para sentar porque eu já estava passando do meu limite emocional, avistei uma cama enorme, sentei-me e logicamente dei uma pirada legal:
“Olha, vocês dois, eu não sei quem vocês pensam que eu sou. Eu sou a Letícia, sou uma pessoa muito simples, não sou acostumada com luxo algum, nem em ser servida por ninguém, muito menos protegida por alguém. Então eu peço desculpas pelo meu jeito, ok? Estou aqui apenas e apenas para ver Don! Onde está Don!?” Lágrimas começaram a brotar dos meus olhos sem que eu as controlasse. Enterrei o rosto nas mãos e deixei a coisa toda sair de dentro de mim. Houve alguns segundos de silêncio e ouvi o mordomo se aproximar, colocar suas mãos sobre meus ombros e gentilmente dizer:
“Senhorita, eu te entendo, fique tranquila. Eu estou aqui para servir a senhorita com o que precisar, desde seu banho até suas refeições, tudo deve ser solicitado a mim e prepararei com muito cuidado. Quando precisar de mim, basta retirar o fone do ganho e me chamar, tudo bem?”
Eu não tive coragem de olhar para aquele bondoso senhor, apenas grunhi um abafado “ok, obrigada”. Pude ouvi-lo se afastando e a porta sendo fechada. Após isso retirei as mãos do rosto e percebi Felipe me olhando com uma expressão preocupada. Estendeu-me um lenço de papel e se abaixou na minha frente.
“Senhorita, eu realmente sinto muito por toda essa situação. Eu tenho certeza de que Don logo estará aqui. Está bem?”
“Felipe, pare de me chamar de senhorita, por favor. Eu não sou quem você pensa que eu sou”
“Tudo bem, eu entendo o que a senhorita pede, mas Don foi muito, mas muito claro mesmo quando disse que não queria nenhum tipo de intimidade e informalidades com a senhorita.”
“Caramba, mas não entendo isso!”
“Você deve saber como ele é”
Felipe se afastou e foi pegar um copo com água. Voltou e me entregou o copo.
“Felipe, você sabe que eu não conheço Don pessoalmente?”
“Sim, senhorita, eu sei.”
“O que você pensa que eu sou?”
“Não sou pago para pensar nada, senhorita.”
“Mas quero saber, eu estou me sentido bem mal agora.”
Felipe respirou profundamente, fechou os olhos por um momento e disse:
“Eu sei que você é a pessoa que Don mais ama no mundo, por isso ele exige tanto cuidado com você.”
Então Felipe abriu os olhos e encontrou os meus, afirmando ser muita verdade o que acabara de dizer. Eu fiquei piscando e olhando para ele sem saber o que dizer. Até que ele disse novamente:
“Agora eu sugiro que a senhorita tome um banho para relaxar e em seguida podemos pedir o almoço. Se não se importar eu almoçarei aqui com a senhorita, pois, como já deve ter percebido, só estarei liberado quando Don entrar por aquela porta.”
“E isso será...?”
“Não sei dizer. Desde que cheguei ao aeroporto não recebi notícias da equipe que o acompanha.”
“Mas que droga isso! Vou ficar muito brava com ele por não me contar o que está acontecendo.”
Joguei o corpo para trás e senti a maciez daquela cama que parecia me envolver num abraço bem confortável. Fiquei ali de olhos fechados tentando me acalmar. Então eu disse:
“Não.”
“Como? Não entendi, senhorita.”
“Não me importo de almoçarmos juntos.”
Então resolvi seguir a sugestão de Felipe, levantei e fui em direção ao banheiro, mas não chamei o mordomo para preparar meu banho, que piada! Essa gente rica não tem vergonha na cara, não sabe ligar um chuveiro sozinho! Espero que Don não seja assim tão mal acostumado! Entrei no banheiro e fiquei boquiaberta com que via. Na verdade até aquele momento eu não havia parado para observar a beleza e o luxo daquele quarto. Fechei a porta atrás de mim e passei os olhos por tudo ali, a banheira era muito grande, algo parecido com dois metros por dois metros, ela ficava encaixada em um suporte de madeira refinada. Em volta dela havia várias toalhas e muitas velas. Bem romântico. Pena que meu primeiro banho ali seria sozinha! Havia outro espaço mais reservado com um chuveiro realmente grande e com tudo o que um banheiro deveria ter. Um banheiro com cômodos... Essa gente rica.... Sinceramente.
Pensei em tirar a roupa, mas aí lembrei que não havia outra para colocar. Olhei em volta em busca de ideia e percebi que havia um armário com cinco portas grandes e umas dez gavetas. Para que isso? Quanto tempo as pessoas costumam passar nesses hotéis? Resolvi abrir os armários e no primeiro encontrei uma caixa de papelão bem duro, era rosa e toda decorada com pérolas. Sobre a tampa estava escrito: For my sweet love, Letie. Dentro da caixa havia um vestido preto, não era sofisticado, mas bem comum e lindo. Do jeito que eu gosto. Havia também um par de sapatilhas vermelhas, e uma langerie preta. Era tudo muito lindo e simples.
Ainda bem que o Don entendeu isso! Eu realmente não sei o quanto foi difícil ou não para ele entender quem eu era. Uma pessoa simples, sem grana, uma pessoa comum. Completamente diferente da esposa dele e das pessoas com as quais ele estava acostumado a viver. Mas claro, resolvi olhar as etiquetas e o vestido, lingerie e sapato eram de marcas caras e famosas... Ah! Don! Qual é?
Bom, já que havia tudo para um bom banho antes do almoço eu fui ligar a banheira e... Putz! Não sabia como fazer aquilo! Essa gente rica... Sério... Me mata! Então tive que me render ao tal mordomo. Sai do quarto e encontrei Felipe esticado no sofá, não roncava, mas pude perceber a respiração pesada que fazia seu peito subir e descer lentamente. Pude observá-lo melhor e realmente era um cara bonitão. Ele era menor e mais baixo que Don, tinha cabelos escuros, pela branca, olhos castanhos. Um cara comum, o que o destacava era o porte, realmente parecia um pombo com peito estufado. O olhar dele era firme e doce ao mesmo tempo. Sua voz era calma e aveludada. Don deve ter ficado realmente irritado, pois não sei o porquê, ele não tem lá uma boa autoestima. Mas pode ser quem for, não vai ganhar dele. Eu amo Don, grande e desajeitado do jeito que é!
Procurei não fazer muito barulho para não acordar o rapaz. Tirei o telefone do ganho e chamei Siegas. Ele chegou em questão de poucos minutos, pedi que não fizesse muito barulho, pois Felipe dormia. Siegas entrou no banheiro, ligou a torneira da banheira, procurei ver como ele fazia para não ter mais que chamá-lo para isso.
“Senhorita, no primeiro armário, há uma caixa para a senhora.”
“Sim, senhor, eu já encontrei, obrigada.”
“Disponha, senhorita, mas na segunda, terceira e ah! Enfim, em todas as portas e gavetas do banheiro e do quarto há caixas para a senhorita.”
Siegas fitou-me e soltou um pequeno sorriso. Ele achou tudo aquilo muito engraçado, com certeza.
“Ah! Puxa... Mesmo?”
“Sim.”
“Então está certo, né? Acho que terei muito que fazer antes de Don chegar. Obrigada mais uma vez.”
Siegas fez sinal com a cabeça e se retirou. Então pude finalmente me despir e relaxar um pouco. Eu não sabia que horas eram, meu celular ficara no quarto e não estava disposta a sair novamente, muito menos de roupão. Deixei pra lá. Entrei naquela banheira linda, confortável e quentinha e acabei pegando no sono.
CAPÍTULO IV
Era início da manhã, de uma sexta-feira muito quente em Janeiro de 2018. Eu estava no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, esperando o voo 155 da Blue Airlines chegar. A previsão de chegada era às 9h15 e não havia possibilidade alguma de esconder toda a minha ansiedade para a chegada desse avião. Acho que você deve estar se perguntando o motivo da minha ansiedade, e há um bom motivo! A big reason called Donald James Hayes, ou simplesmente Don.
Enquanto aguardava a chegada de Don, fiquei repassando na minha mente a nossa história e tomando um café romano (já bebeu um desses? É maravilho) na Starbucks. Na época eu evitava contá-la para minhas amigas, porque era algo tão maluco que ficava realmente difícil acreditar. Mesmo quando eu mostrava as mensagens no Hangouts, elas não acreditavam, riam muito da minha cara. Então eu parei de compartilhar. Mas depois de tudo o que aconteceu naquele fim de semana e nos dias que se seguiram, não há até hoje uma única pessoa no mundo que possa duvidar da veracidade dos fatos.
Na ocasião do meu encontro com Don, a única pessoa que sabia onde eu estava e o que fui fazer era a Ana. Aliás, ela não parava de me mandar mensagem no WhatsApp perguntando de tudo. E enquanto ele não chegasse eu não tinha o que contar além de que estava me borrando de medo e ansiedade. Já havia tomado limão com maizena para calar meu intestino.... Sério...
Quando chegou às nove horas da manhã eu fui para o portão de desembarque e ao me aproximar pude perceber uma multidão. Pensa no frio no estômago, meu cérebro não parava de gritar: você vai vê-lo! Você vai realmente vê-lo! Vai finalmente tocá-lo e sentir o seu perfume!
My goodness! Que nervoso! Comecei a me perguntar se todas aquelas pessoas estavam ali para vê-lo. Minha esperança era de que não. O ciúme já havia começado a subir pela garganta. Mas eu tinha que engoli-la, afinal ele era um cara famoso no meio esportivo, e não haveria nada que eu pudesse fazer para afastar toda aquela gente, todas as mulheres, dali. Do what?
Quando havíamos conversado pela última vez, ou seja, havia 10 horas, ele dissera que o momento do desembarque seria uma confusão: "It's really gonna be a mess, sweetie." Então, nosso combinado era que alguém da equipe dele iria me abordar discretamente para que eu pudesse acompanhá-los para o hotel. Ele dissera que só iríamos realmente nos ver no hotel. Caramba... Não sabia o que fazer para aguentar tanta ansiedade, emoção e paixão ao mesmo tempo. Ansiava há tanto tempo por aquele momento. Não parecia verdade.
Finalmente chegara a hora do desembarque e graças a Deus o voo não havia atrasado. That's so good! E foi realmente como Don havia dito: muita confusão, uma cadelada histérica! Ops... Uma mulherada berrando, havia muitos homens também, só não faziam tanto escândalo. Um empurra-empurra, afff! Tentei ver alguma coisa, mas realmente aquilo estava uma loucura, passei meus olhos por todas as pessoas que vinham pelo corredor, fiz de tudo para tentar enxergá-lo, afinal, não poderia ser tão difícil ver um homem de dois metros de altura! Mas que nervoso passei naqueles minutos! Era muita gente desembarcando e eu não conseguia ver nada. Resolvi, então, afastar-me e aguardar a abordagem da pessoa orientada. Don havia me mostrado uma foto do rapaz que iria me encontrar. Então eu sabia bem como era o rapaz, chamava-se Felipe Santos e esse rapaz também havia visto uma foto minha. Fiquei aliviada por saber que era um brasileiro, pelo menos a comunicação seria mais fácil. Então fiquei ali aguardando. De repente, recebi uma mensagem do meu lindo e gostoso Don:
"Hey, sweetie! I'm here! Felipe is going to seek you! I'm ansious a lot! We see soon. I love you! ".
"Ok, my pretty love! We see soon. I Love you, too."
Guardei o celular e alguns minutos depois fui abordada por um rapaz com a descrição exata do tal Felipe. Ele se aproximou sorrindo, mas parecia um pouco nervoso, e perguntou se eu era a Letícia. Respondi que sim.
“Acompanhe-me, por favor, senhorita. Vou levá-la em segurança para o hotel. Eu sou o Felipe”.
CAPÍTULO II
Era noite fria de um sábado julino de 2017 quando eu estava atualizando meu insta e recebi uma mensagem no direct: “Hello!”. Fui olhar quem era a pessoa, cliquei no perfil do tal don_hayes0. Havia três fotos estranhas de dois caras lutando num ring. Como não reconheci o homem e não poderia travar uma conversa decente porque meu inglês era péssimo, resolvi ignorar, apesar de ter achado o cara um gato! Cabelos curtos e loiro, alto (2,01 metros, constava na bio dele), olhos azuis e muito musculoso!
Continuei minhas atualizações e recebi nova mensagem: “Hey! What are you doing”. Li e mensagem e olhei a foto, pensei em responder só pra ver o que estava pegando. “Hello! I’m trying sleep”. Sim, eu menti porque era mais fácil dizer isso do que escrever em inglês o que eu estava fazendo.
“That’s nice. Are you one of my fan?”
Putz! Pensei… Fã? Aff, como assim, quem era afinal esse cara?
“Sorry, but no”.
It’s ok. I guess you don’t watch wrestling.
“I don’t now you” – escrevi após consultar o google tradutor.
Oh! Okay! I’m a professional wrestler.
Bom, a essa altura eu já havia pesquisado o significado da palavra wrestling e descobri que é luta livre. Achei engraçado e conclui que wrestler é lutador.
“Really? That’s cool!”
“Thank you for all the support”
Achei meio exagerada a resposta dele, mas tudo bem, deve ser coisa de americano. O cara era um lutador de luta livre? Eu achei bem engraçado, porque esses caras usam umas roupas cômicas demais. Resolvi pesquisar melhor essa pessoa. Joguei o nome dele na busca do insta e descobri um perfil oficial. Voltei e olhei o perfil que ele falava comigo e percebi que eram perfis bem diferentes. Nesse em que ele falava comigo, havia poucos seguidores e poucos seguidos. Mas um detalhe me chamou a atenção, só havia mulher tanto nos seguidores quanto nos seguidos. Logo conclui que era um perfil fake, óbvio.
Comecei a vasculhar o perfil oficial dele e vi que era casado e tinha dois filhos pequenos. A mulher dele chamava-se Katherine Hayer e era um espetáculo de mulher. Sério, pensa em uma mulher linda, um corpo maravilhoso. Visitei o perfil dela e descobri que ela era preparadora física. A maior parte das fotos era dela usando apenas biquíni, e alguns pequenos vídeos dela fazendo exercícios. Havia, também, várias fotos dos dois. Mas confesso que achei fotos meio vazias de sentimentos, não sei explicar bem, havia algo estranho. Mas e daí, né? Fiquei algum tempo stalkeando o tal do Don. E quanto mais o stalkeava, mais ficava fascinada com a beleza daquele homem. Que corpo! Comecei a torcer para que aquele perfil fake não fosse um perfil fake.
Então continuamos nosso papinho bobinho, e não haveria como não ser bobinho, afinal era um perfil fake e eu não sabia falar bem inglês, então não haveria possibilidade de termos uma boa conversa. Em dado momento ele perguntou:
“What’s your name?”
“I’Julie. Your name is Don?”
“Yeah! I’m Don. You got a very beautiful name for a beautiful lady like you.”
“My little dog is Don, too. Tks!”
“Oh! That’s really sweet. You welcome”
“Are you married?”
“No. I’m Single. Just me and my five dogs: Don, Jack, Pitoca, Fred and Mercury.”
“I think you really love dogs!”
“A lot!”
“Their names are so sweety. Don is cute.”
Então envie uma foto deles para Don ver:
“They’re so lovely.”
A partir daí só conversamos amenidades, falamos sobre gatos, qual era minha profissão, ele desejou que eu fosse bem paga por isso, eu disse que não era, mas que tudo bem, ele disse que sentia muito e blá blá blá. Quando bateu sono eu disse que realmente precisava dormir, desejei-lhe boa noite e ele escreveu:
“Okay ,dear, I will be expecting your text tomorrow.”
“Okay, I believe that I’ll be able to take the time to talk, have a good night, Don.”’
“You too, Julie.”
CAPÍTULO III
Felipe precisou colocar os braços sobre os meus ombros para poder me conduzir pelo caminho correto, retesei-me.
“Desculpa, senhorita, mas é preciso fazer isso, aqui tem muita gente, e preciso que esteja segura. Ordens do Don.” Felipe deu uma risadinha após dizer isso.
“Tudo bem, Felipe, mas por que deu risada?”
“Desculpe-me, senhorita... Mas Don me deu essa ordem muito a contragosto. E eu só me lembrei da expressão dele, foi bem engraçado.”
“Qual ordem? De vir me buscar?” Arregalei os olhos e aguardei ansiosa pela resposta! Don não me queria ali?
“Não é isso, senhorita. A ordem de ter que te abraçar para poder te conduzir em segurança é que ele não queria. Ele deixou bem claro que não queria nenhum homem encostando um dedo na senhorita. Mas explicamos a ele que infelizmente aqui no aeroporto do Rio não era seguro deixar a senhorita à toa”
“Nossa! Mas eu fiquei sozinha e à toa a vida toda, por que isso agora?”
“É difícil explicar.”
“Tente!”
“Sinto muito, senhorita, mas não tenho permissão para falar sobre o assunto.”
Fiquei em silêncio, mas muito pensativa. Que história estranha era aquela? Mas não tive tempo de pensar mais sobre o assunto, pois logo chegamos ao estacionamento, Felipe conduziu-me para o interior de uma BMW preta, maravilhosa! Dentro do carro não havia mais ninguém além de mim, Felipe e o motorista.
“Bom dia, senhorita Letícia! Felipe!”
“Bom dia, Pelé” Respondeu Felipe, sua voz era tensa e seu olhar era duro para o tal Pelé.
“Bom dia, senhor” Respondi mansamente. Pelé? My Goodness! Isso é lá nome de motorista de gente rica?
“A previsão de chegada ao Hotel Internacional do Rio de Janeiro é de quinze minutos, faça uma boa viagem, senhorita.”
“Ok, obrigada.”
Olhei para Felipe e percebi que ele olhava triste e tensamente para fora, mas os vidros eram tão escuros que realmente não sei o que ele estava olhando. Fiquei em silêncio e nem tentei puxar assunto com aquele rapaz. Achei toda aquela situação muito estranha, muito estranha mesmo. Mas eu estava ali para ver meu Don e era somente isso que poderia ocupar todo o meu pensamento. Don, Don e Don. Meu amor, my love, my badboy.
Passados exatos quinze minutos, o tal Pelé estacionou em frente ao Hotel. Estranhei o fato de estar tudo muito tranquilo, não havia outros carros, nem pessoas desembarcando.
“Tem certeza de que é aqui? Por que não há movimentação, pensei que estaria tão confuso quanto no aeroporto?!”
“Sim, senhorita, é aqui. Por medidas de segurança o hotel divulgado no site da equipe do Don é outro. Então os fãs devem estar no Meridional.”
“Nossa! Que sacanagem com eles.”
”Pois é, como eu disse: medidas de segurança”.
Desembarcamos bem rápido porque eu não tinha malas. Só eu e minha bolsa. Don me proibiu de trazer qualquer coisa, ele disse que queria me encher de mimos. “I want pampering you a lot, sweetie”
Chegamos à recepção e Felipe informou a recepcionista que a senhorita Letícia Cerrado havia chegado. A moça da recepção chamou um senhor cuja função descrita no crachá era a de mordomo para que nos acompanhasse. O simpático senhor era alto e de pele escura. Ele pediu que nós o seguíssemos. Felipe não arredava o pé do meu lado, mas já não pousava sua mão em meus ombros.
“Você é sempre assim?”
“Assim como, senhorita?” Perguntou sem olhar para mim.
“Tenso.”
“Sinto muito, senhorita, mas é meu trabalho. Sou segurança e de fatos os seguranças são sempre tensos. Peço desculpas se isso a incomoda.”
“Na verdade me incomoda sim, porque parece que há algo errado, você está tenso, preocupado e fica de olho em tudo. Você já está me deixando tensa também! Muito mais do que eu já estava! Há algo errado acontecendo aqui? Cadê Don?”
Neste momento eu comecei a ficar meio que histérica, porque algo me parecia errado. Não havia mais recebido nenhuma mensagem de Don, no carro eu havia enviado uma mensagem para ele, mas ele não me retornou, nem havia visualizado.
“Senhoria, não há com que se preocupar.”
Em seguida chegamos ao quarto, o mordomo abriu a porta para que pudéssemos entrar. Ele entrou logo atrás e disse:
“Senhorita Cerrado, meu nome é Mario Siegas, serei seu mordomo.”
Fiquei olhando para ele sem saber o que dizer, porque na verdade eu nem sabia que havia mordomos em hotéis e muito menos o que eles faziam.
“Senhor Siegas, me desculpe, não sei o que dizer. Mas agradeço sua gentileza.”
Nesse momento eu procurei um lugar para sentar porque eu já estava passando do meu limite emocional, avistei uma cama enorme, sentei-me e logicamente dei uma pirada legal:
“Olha, vocês dois, eu não sei quem vocês pensam que eu sou. Eu sou a Letícia, sou uma pessoa muito simples, não sou acostumada com luxo algum, nem em ser servida por ninguém, muito menos protegida por alguém. Então eu peço desculpas pelo meu jeito, ok? Estou aqui apenas e apenas para ver Don! Onde está Don!?” Lágrimas começaram a brotar dos meus olhos sem que eu as controlasse. Enterrei o rosto nas mãos e deixei a coisa toda sair de dentro de mim. Houve alguns segundos de silêncio e ouvi o mordomo se aproximar, colocar suas mãos sobre meus ombros e gentilmente dizer:
“Senhorita, eu te entendo, fique tranquila. Eu estou aqui para servir a senhorita com o que precisar, desde seu banho até suas refeições, tudo deve ser solicitado a mim e prepararei com muito cuidado. Quando precisar de mim, basta retirar o fone do ganho e me chamar, tudo bem?”
Eu não tive coragem de olhar para aquele bondoso senhor, apenas grunhi um abafado “ok, obrigada”. Pude ouvi-lo se afastando e a porta sendo fechada. Após isso retirei as mãos do rosto e percebi Felipe me olhando com uma expressão preocupada. Estendeu-me um lenço de papel e se abaixou na minha frente.
“Senhorita, eu realmente sinto muito por toda essa situação. Eu tenho certeza de que Don logo estará aqui. Está bem?”
“Felipe, pare de me chamar de senhorita, por favor. Eu não sou quem você pensa que eu sou”
“Tudo bem, eu entendo o que a senhorita pede, mas Don foi muito, mas muito claro mesmo quando disse que não queria nenhum tipo de intimidade e informalidades com a senhorita.”
“Caramba, mas não entendo isso!”
“Você deve saber como ele é”
Felipe se afastou e foi pegar um copo com água. Voltou e me entregou o copo.
“Felipe, você sabe que eu não conheço Don pessoalmente?”
“Sim, senhorita, eu sei.”
“O que você pensa que eu sou?”
“Não sou pago para pensar nada, senhorita.”
“Mas quero saber, eu estou me sentido bem mal agora.”
Felipe respirou profundamente, fechou os olhos por um momento e disse:
“Eu sei que você é a pessoa que Don mais ama no mundo, por isso ele exige tanto cuidado com você.”
Então Felipe abriu os olhos e encontrou os meus, afirmando ser muita verdade o que acabara de dizer. Eu fiquei piscando e olhando para ele sem saber o que dizer. Até que ele disse novamente:
“Agora eu sugiro que a senhorita tome um banho para relaxar e em seguida podemos pedir o almoço. Se não se importar eu almoçarei aqui com a senhorita, pois, como já deve ter percebido, só estarei liberado quando Don entrar por aquela porta.”
“E isso será...?”
“Não sei dizer. Desde que cheguei ao aeroporto não recebi notícias da equipe que o acompanha.”
“Mas que droga isso! Vou ficar muito brava com ele por não me contar o que está acontecendo.”
Joguei o corpo para trás e senti a maciez daquela cama que parecia me envolver num abraço bem confortável. Fiquei ali de olhos fechados tentando me acalmar. Então eu disse:
“Não.”
“Como? Não entendi, senhorita.”
“Não me importo de almoçarmos juntos.”
Então resolvi seguir a sugestão de Felipe, levantei e fui em direção ao banheiro, mas não chamei o mordomo para preparar meu banho, que piada! Essa gente rica não tem vergonha na cara, não sabe ligar um chuveiro sozinho! Espero que Don não seja assim tão mal acostumado! Entrei no banheiro e fiquei boquiaberta com que via. Na verdade até aquele momento eu não havia parado para observar a beleza e o luxo daquele quarto. Fechei a porta atrás de mim e passei os olhos por tudo ali, a banheira era muito grande, algo parecido com dois metros por dois metros, ela ficava encaixada em um suporte de madeira refinada. Em volta dela havia várias toalhas e muitas velas. Bem romântico. Pena que meu primeiro banho ali seria sozinha! Havia outro espaço mais reservado com um chuveiro realmente grande e com tudo o que um banheiro deveria ter. Um banheiro com cômodos... Essa gente rica.... Sinceramente.
Pensei em tirar a roupa, mas aí lembrei que não havia outra para colocar. Olhei em volta em busca de ideia e percebi que havia um armário com cinco portas grandes e umas dez gavetas. Para que isso? Quanto tempo as pessoas costumam passar nesses hotéis? Resolvi abrir os armários e no primeiro encontrei uma caixa de papelão bem duro, era rosa e toda decorada com pérolas. Sobre a tampa estava escrito: For my sweet love, Letie. Dentro da caixa havia um vestido preto, não era sofisticado, mas bem comum e lindo. Do jeito que eu gosto. Havia também um par de sapatilhas vermelhas, e uma langerie preta. Era tudo muito lindo e simples.
Ainda bem que o Don entendeu isso! Eu realmente não sei o quanto foi difícil ou não para ele entender quem eu era. Uma pessoa simples, sem grana, uma pessoa comum. Completamente diferente da esposa dele e das pessoas com as quais ele estava acostumado a viver. Mas claro, resolvi olhar as etiquetas e o vestido, lingerie e sapato eram de marcas caras e famosas... Ah! Don! Qual é?
Bom, já que havia tudo para um bom banho antes do almoço eu fui ligar a banheira e... Putz! Não sabia como fazer aquilo! Essa gente rica... Sério... Me mata! Então tive que me render ao tal mordomo. Sai do quarto e encontrei Felipe esticado no sofá, não roncava, mas pude perceber a respiração pesada que fazia seu peito subir e descer lentamente. Pude observá-lo melhor e realmente era um cara bonitão. Ele era menor e mais baixo que Don, tinha cabelos escuros, pela branca, olhos castanhos. Um cara comum, o que o destacava era o porte, realmente parecia um pombo com peito estufado. O olhar dele era firme e doce ao mesmo tempo. Sua voz era calma e aveludada. Don deve ter ficado realmente irritado, pois não sei o porquê, ele não tem lá uma boa autoestima. Mas pode ser quem for, não vai ganhar dele. Eu amo Don, grande e desajeitado do jeito que é!
Procurei não fazer muito barulho para não acordar o rapaz. Tirei o telefone do ganho e chamei Siegas. Ele chegou em questão de poucos minutos, pedi que não fizesse muito barulho, pois Felipe dormia. Siegas entrou no banheiro, ligou a torneira da banheira, procurei ver como ele fazia para não ter mais que chamá-lo para isso.
“Senhorita, no primeiro armário, há uma caixa para a senhora.”
“Sim, senhor, eu já encontrei, obrigada.”
“Disponha, senhorita, mas na segunda, terceira e ah! Enfim, em todas as portas e gavetas do banheiro e do quarto há caixas para a senhorita.”
Siegas fitou-me e soltou um pequeno sorriso. Ele achou tudo aquilo muito engraçado, com certeza.
“Ah! Puxa... Mesmo?”
“Sim.”
“Então está certo, né? Acho que terei muito que fazer antes de Don chegar. Obrigada mais uma vez.”
Siegas fez sinal com a cabeça e se retirou. Então pude finalmente me despir e relaxar um pouco. Eu não sabia que horas eram, meu celular ficara no quarto e não estava disposta a sair novamente, muito menos de roupão. Deixei pra lá. Entrei naquela banheira linda, confortável e quentinha e acabei pegando no sono.
CAPÍTULO IV
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