Onde está sua fé? Mateus 1

 A conduta dos magos, descrita neste capítulo, serve-nos de esplêndido exemplo de diligência espiritual. Quantas inconveniências e canseiras deve ter-lhes custado a viagem, desde a sua pátria distante até a casa na qual o menino Jesus foi encontrado por eles! Quantos quilômetros cansativos devem ter percorrido! A fadiga das viagens, no antigo Oriente, era muito maior do que nós, da moderna civilização, podemos compreender. Sem dúvida, o tempo que se perdia em uma viagem era muito mais dilatado do que acontece em nossos dias. Os perigos encontrados não eram poucos, nem pequenos. Nenhuma dessas coisas, contudo, fez os magos desistirem. Eles resolveram, em seus corações, que veriam aquele que nascera para ser o “Rei dos judeus”. E não descansaram até encontrá-lo. Assim, demonstraram que aquele adágio popular encerra uma grande verdade: “Sempre que houver boa vontade, será descoberto o caminho”. Quem dera que todos os crentes professos estivessem mais dispostos a seguir o bom exemplo dos magos! Onde está nossa abnegação? De que maneira nos temos preocupado com nossas próprias almas? Quanta diligência temos mostrado em seguir a Cristo? O que nos tem custado nossa religião? Essas são indagações seriíssimas que merecem nossa mais estrita consideração. Em último lugar, embora não menos importante, a conduta dos magos serviu de notável exemplo de fé. Eles confiaram em Cristo, ainda que nunca o tivessem visto. Mas isso não foi tudo. Creram nele mesmo depois de os escribas e os fariseus terem demonstrado sua incredulidade. Porém, nem mesmo isso foi tudo. Confiaram nele quando o viram como um pequeno menino, nos joelhos de Maria; e adoraram-no como a um rei. Esse foi o ponto culminante de sua fé. Não contemplaram qualquer milagre que pudesse convencê-los. Não ouviram qualquer ensino que tentasse persuadi-los. Não foram testemunhas de nenhum sinal de divindade ou de grandiosidade que os deixasse atônitos. A ninguém mais viram senão a um menino ainda pequeno, fraco e impotente, necessitado dos cuidados maternos como qualquer um de nós. A despeito disso, quando viram aquele Menino, creram estar diante do divino Salvador do mundo. E, “prostrando-se, o adoraram”. Em todas as Escrituras, não encontramos fé mais robusta do que a dos magos. Sua fé merece ser considerada no mesmo nível de fé do ladrão penitente. Este viu a morte de alguém que fora crucificado como se fosse um malfeitor; mas, a despeito disso, dirigiu-lhe um apelo, chamando-o “Senhor”. Os magos viram um menino ainda pequeno, no colo de uma mulher pobre; mas, não obstante, o adoraram, confessando ser ele o Cristo. Verdadeiramente bem-aventurados são aqueles que podem confiar dessa maneira! Lembremo-nos de que essa é a espécie de fé que Deus deleita-se em honrar. Podemos encontrar provas disso todos os dias. Onde quer que a Bíblia Sagrada seja lida, a conduta daqueles magos torna-se conhecida, sendo relatada em memória deles. Sigamos suas pegadas de fé. Não nos envergonhemos de confiar em Jesus e de nos confessar seus seguidores, mesmo que todas as pessoas ao nosso redor permaneçam na indiferença e na incredulidade. Não dispomos de mil evidências mais do que os magos dispuseram para crer que Jesus é o Cristo? Não há dúvida de que dispomos. No entanto, onde está a nossa fé?

J.C. Ryle
Meditações no Livro de Mateus

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